Ou será que era?


Posso não me lembrar de metade das coisas que fiz ou disse ontem mas lembro-me ao pormenor daquele momento, apesar de ter passado uma vida desde então.

Ele estava de costas quando entrei na sala… Naquele momento não fazia a mais pequena ideia de que estava prestes a apaixonar-me perdidamente pela primeira vez… Ele virou-se e posso jurar que ainda consigo ouvir o tom exato da voz dele quando ele disse “Olá”… Ainda não conhecia a expressão “You had from hello!” mas foi exatamente isso que aconteceu…

Ainda consigo materializar o sorriso dele, o jeito do lábio dele quando falava, as rugas de menino que tinha junto aos olhos e aquele olhar…o olhar mais doce que conheci em toda a minha vida… Amei-o de tantas formas diferentes… e nunca consegui explicar nenhuma delas! Amei o homem, amei a pessoa e amo o rasto de luz que ele deixou quando deixou de “sofrer a dor da existência” … Cancro…

A memória dele nunca me deixa triste, apesar de chorar sempre que o sinto… Mas é um choro de felicidade, de luz, de tranquilidade, de libertação… Está no meu coração apesar de não ter ficado na minha vida… O plano não era esse! Ou será que era?

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